A cada ano, oitocentas mil pessoas tiram a própria vida, mas 90% dos casos poderiam ser evitados. O alerta vem de especialistas presentes no Grande Expediente Especial dessa quinta, realizado em homenagem à campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Para o psiquiatra Antônio Peregrino, professor da Universidade de Pernambuco, é preciso investir no diagnóstico precoce, mas também melhorar a rede de atendimento. “A gente precisa ter os hospitais, os ambulatórios, os CAPS, todos em funcionamento, para atender pessoas que estejam apresentando os quadros como os que a gente tá descrevendo, se não fica só teórico dizer que existe, mas não tem para onde ir.”
O problema atinge pessoas de todas as idades, mas tem sido a segunda causa de morte do grupo mais afetado, jovens de 15 a 29 anos. Os transtornos mentais e a depressão são os principais fatores de risco, junto com o abuso de álcool e drogas. A promotora Ivana Botelho, do Ministério Público de Pernambuco, lembrou que a Lei da Reforma Psiquiátrica, de 2001, determina que as emergências sejam atendidas nos hospitais gerais. Mas, atualmente, em todo o estado, o serviço só é oferecido pelo Hospital Ulisses Pernambucano, no Recife.
Eliene Soares, do Centro de Valorização da Vida, CVV, alertou para comportamentos de pessoas próximas que podem agravar a situação. Um exemplo são os comentários que minimizam o sofrimento do outro.
Autora do requerimento para realizar o debate, a deputada Socorro Pimentel, do PSL, elogiou a iniciativa do Setembro Amarelo, já que o tema ainda é tabu para muitas pessoas. “É um problema realmente de saúde pública, e que a gente precisa trazer à tona e discutir aqui na Assembleia Legislativa para que a gente possa propor projetos de lei que venham melhorar a assistência.”
Melhorar a qualificação dos profissionais da saúde e investir na prevenção nas escolas foram outras sugestões apresentadas no evento. Se você precisa de apoio psicológico, o CVV presta atendimento pelo telefone 141.
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